Orçamento zero

Falo muito sobre orçamento zero e acredito realmente que ele é o segredo para fazer o melhor orçamento possível para o teu mês e para que consigas manter o teu objetivo durante os 30 dias seguintes. Por isso, hoje vou contar-te todos os segredos desta técnica para que a comeces já a utilizar quando preparares a tua organização financeira para o próximo mês.


E a verdade é que sempre que partilho esta dica, o feedback é invariavelmente muito positivo por dois motivos, primeiro porque a dificuldade só existe no primeiro mês, segundo porque é muito mais fácil controlar os gastos ao longo de mês, já que é uma ferramenta que te ajuda a fazer escolhas e a aproveitar da melhor maneira o custo de oportunidade (quando escolhes algo em detrimento de outras coisa).

 


Se te pedisse agora para orçamentares o teu mês, o que farias?

Possivelmente seria pagar todas as obrigações, retirar algum dinheiro para contas correntes (dinheiro este que terias dificuldade em dimensionar) e o que sobrava era o que poderia ir para uma poupança. Certo? Agora vou sugerir-te que penses nesta questão do orçamento de uma forma consideravelmente diferente.


Pega no teu ordenado e define ao cêntimo onde vais gastar o teu dinheiro, até que sobre zero. Sim zero! Uma parte será apara as obrigações, outras para pagamentos não mensais, outras para as várias poupanças e terminas com os gastos correntes do mês, que agora são mais fáceis de definir porque tens um orçamento limitado.

Vou dar um exemplo simples de um orçamento zero

(atenção que estes valores são apenas um exemplo)

Ordenado de 850€ (de um dos elementos do casal)

200€ para despesas não mensais

400€ para despesas fixas (casa, água, luz, etc.)

100€ para as mais diversas poupanças que deves detalhar

150€ para supermercado, refeições fora e outros extras

A ideia é que estes últimos 150€ também sejam detalhados ao cêntimo para perceberes o que cabe e o que não cabe no teu mês.

 

O que acontece depois desta divisão?

Uma de duas coisas, ou sobrou dinheiro, algo que raramente acontece, ou que lhe falta dinheiro para as contas correntes, o que infelizmente é muito comum.

No primeiro caso, pode significar que talvez fosse importante repensares as tuas poupanças, já que as poderás aumentar, ou que, talvez te tenhas esquecido de incluir alguma despesa que, mais tarde, irá fazer uma grande diferença.

No segundo caso, significa que estás a viver acima das tuas possibilidades. Ou seja, que as obrigações que tens têm uma carga demasiado grande para o teu orçamento mensal. E podem ser créditos demasiado elevados para a tua capacidade financeira. Ou precisas simplesmente de fazer escolhas diferentes para conseguires que despesas, poupanças e contas correntes caibam no teu orçamento.

Se depois de reajustadas as contas, o ordenado continua a ser demasiado curto para tudo o que precisas, tens apenas duas soluções. Ou cortar despesas, ou aumentar o ordenado através de, por exemplo, uma mudança de trabalho, ou renda extra.

 

E, ao longo do mês, como é que esta técnica de orçamento zero te pode ser útil?

Vou dar-te um exemplo muito concreto, o que utilizo mais vezes, porque é muito simples de entender. Imagina que definiste gastar 200€ em supermercado ao longo do mês (o que te permite prever cerca de 50€ por semana para esta rubrica) e 100€ em jantares e almoços fora (cerca de 25€ por semana). Chegou o dia 25 e, depois de todos os registos e ainda com um fim de semana de compras de supermercado pela frente, deparas-te com o seguinte cenário: 180€ gastos em supermercado e 50€ gastos em jantares e almoços fora.

 

 Como é que o orçamento zero te ajuda nesta situação? 

Em primeiro lugar já sabes que tens uma margem de zero, ou seja, não tens qualquer hipótese de gastar mais nessa rubrica, a menos que retires dinheiro de outro lado (o que não é uma opção).

A primeira hipótese é preparares uma lista de supermercado adequada aos teus 20€ e respeitares o orçamento inicial.

A segunda hipótese é definires que irás gastar apenas mais 20€ em almoços e jantares e aproveitares os 30€ que sobram para reforçar o orçamento de supermercado, voltando a ter 50€ para o último fim de semana. A esta técnica chamo a lei da compensação

Quer a tua opção recaia sobre a primeira, ou segunda hipótese, a verdade é que nunca irás ultrapassar o teu orçamento para o mês, o que poderia significar utilizar o fundo de emergência, ou o cartão de crédito.

Quais são as vantagens desta técnica: saberes concretamente quando podes gastar em cada rúbrica, utilizar a lei da compensação para alguns deslizes, saberes sempre quanto ainda tens disponível para gastar, evitar utilizar outras fontes financeiras que não o ordenado, fazer escolhas estratégicas caso estas sejam necessárias.