Tudo sobre o Fundo de Emergência

Há muito tempo que queria escrever sobre este tema e contar-te tudo sobre o Fundo de Emergência. Este é, sem dúvida, um dos temas sobre o qual mais me escrevem e isso não é de estranhar, já que este dinheiro funciona como uma rede de apoio que nos acompanha ao longo da vida. Bem, mas sem mais conversa, vamos a todos os pormenores que TU queres saber.

 

 

Tudo sobre o Fundo de Emergência

 
O que é o Fundo de Emergência?

O Fundo de Emergência é uma quantia em dinheiro que colocas de parte e que serve para te ajudar a superar fases em que a tua vida financeira está em défice e não consegues fazer face a algumas ou todas as tuas obrigações.

Este dinheiro serve para cobrir gastos fixos, variáveis, para as despesas do dia-a-dia, ou para comprar, ou pagar algo que seja demasiado caro, mas essencial, e que não cabe nas contas do teu mês.

 

Para que serve o Fundo de Emergência?

Embora já tenha explicado acima, acho muito importante detalhar as situações em que o Fundo de Emergência deve ser utilizado. A mais comum prende-se com situações de desemprego nas quais, de repente, ficas sem rendimentos, ou com os rendimentos reduzidos e precisas de um complemento, ou da totalidade do teu ordenado. Mas há outras situações em que este dinheiro pode ser utilizado, como por exemplo, para pagar o arranjo do carro motivado por um problema imprevisível, como uma avaria grave, ou um acidente; para comprar um electrodoméstico que se avariou e que é indispensável em casa, como um frigorífico; para uma questão de saúde que aconteceu sem que estivéssemos preparados, entre outros.

 

Para o que não serve Fundo de Emergência?

Tão importante como dizer-te para o que serve o Fundo de Emergência é explicar-te para o que é que ele não serve. E por mais que às vezes seja difícil saberes que tens este dinheiro e que não o podes utilizar para estes fins que te dariam tanto prazer, essa é uma realidade. Nessas alturas quero que te lembres que, se um dia passares por uma situação como as que referi acima, vais-te ser eternamente grata por teres evitado tocar nesta poupança.

Então, o Fundo de Emergência não serve para aproveitar uma promoção de algo que é caro, que está a um óptimo preço, mas que não é indispensável, como um robot de cozinha com 50% de desconto. Não serve para comprar roupa em saldos, mesmo que estejas a precisas de uma peça ou outra, ou de uns sapatos novos. Não serve para pagar viagens, nem de verão, nem em qualquer outra época, mesmo que seja uma grande oportunidade em que todas as estrelas se alinharam. Não serve para pagar presentes de nenhum tipo, casamento, aniversários (festas incluídas), Natal e por aí em diante.

Não serve para muitas outras coisas, mas acho que estes exemplos são bastante ilustrativos das situações em que esta poupança se deve manter no seu sítio, sem ser utilizada.

 

De quanto deve ser o meu Fundo de Emergência?

Há muitas teorias sobre a quantia que deves ter no teu Fundo de Emergência e elas vão desde 3 a 24 meses dos teus gastos mensais. Mas eu vou simplificar-te esta questão. 

Para mim, o Fundo de Emergência deve ser o valor equivalente aos teus gastos mensais num período entre 6 meses a 1 ano. Vou detalhar esta frase para que seja mais fácil compreender.

Primeiro, gastos mensais é tudo aquilo onde gastas o teu dinheiro ao longo do mês, sem contar com o dinheiro que poupas. Ou seja, o pagamentos de todos os teus gastos fixos e variáveis, e o dinheiro que gastas para viver. Então, este valor deve cobrir despesas como todos os pagamentos da casa (luz, água, gás, pacote de televisão, telemóvel e afins), o pagamento de todas as tuas dívidas, as compras de supermercado e todas as despesas com alimentação, as despesas relacionadas com deslocações para o trabalho (passe, gasóleo, portagens), outras despesas que façam parte do teu mês e que, como disse acima, excluam as poupanças.

Sobre a questão do período sugerido, que também levanta algumas dúvidas, aconselho uma estratégia. Começa por poupar tudo o que consegues até teres um Fundo de Emergência para 6 meses e, quando atingires este valor, decide se faz sentido poupares mais 6 meses, sendo que, desta vez, podes começar a poupar uma quantia menor todos os meses, uma vez que já tens a tua rede de apoio para 6 meses constituída.

 

Como poupar para o Fundo de Emergência?

Esta parece uma pergunta parva, mas não é! Sei que há muita gente que já esgotou todas as opções e tem dificuldade em encontrar uma folga no seu orçamento para conseguir construir esta poupança. 

Há várias formas de conseguires este dinheiro, podes aproveitar os subsídios de férias e de Natal, bem como o reembolso do IRS para dar o primeiro grande passo e depois poupas apenas 10 ou 20€ mensalmente. Podes reavaliar o teu orçamento mensal e eliminar gastos supérfluos durante um período, até conseguires juntar dinheiro para o Fundo de Emergência. Podes vender coisas que tens a mais lá por casa e, dessa forma, reforçar ou começar o teu Fundo de Emergência e depois ires aos poucos completando. Podes ter um part-time até conseguires o valor que pretendes para esta poupança. E podes utilizar uma, ou várias destas estratégias. O que te quero passar é que há SEMPRE forma de se conseguir ter este dinheiro, basta quereres.

 

Onde guardar o Fundo de Emergência?

A poupança para o Fundo de Emergência, serve para isso mesmo, para uma emergência e isso significa que é um dinheiro que deve estar sempre acessível e que não deves passar pelo risco de o perder. Assim sendo, como deve estar sempre num investimento seguro e de fácil acesso, o rendimento que terás com ele é muito baixo, mas uma boa rentabilidade não é o objectivo deste dinheiro.

Então, os melhores sítios para guardar esta poupança serão: um depósito a prazo ‘tradicional’ do teu banco (analisa bem as condições de segurança e de resgate antes de subscreveres), os Certificado de Aforro, ou os Certificados do Tesouro (neste caso, cuidado com o prazo de inicial sem poder movimentar o dinheiro, que é de um ano; se optares por este produto, investe em tranches e não a totalidade). Ambos podem ser subscritos numa estação de correios, ou no site do IGCP.

De baixo do colchão não é solução porque, por menor que sejam os juros das aplicação que fizeres, será sempre alguma coisa, o que vai permitir que o teu dinheiro não vá desvalorizando ao longo do tempo.

 

Quando rever o meu valor destinado ao Fundo de Emergência?

Sim, o dinheiro para o Fundo de Emergência deve ser revisto. E isso deve acontecer sempre que a tua realidade ou o teu estilo de vida se alterem. Ou seja, se começaste este plano antes de sair de casa dos pais, é natural que o dinheiro que utilizes para cobrir os teus gastos seja muito menos do que o vais precisar quando tiveres a tua casa. O mesmo acontece se comprares casa, carro, se viver um bebé a caminho, entre muitas outras situações.

Agora, depois de te contar tudo sobre o Fundo de Emergência quero apenas deixar-te uma mensagem que deixo sempre que falo sobre este tema. A vida não é só Fundo de Emergência, existem outras poupanças que podes e deves fazer, ou seja, há mais vida para além do Fundo de Emergência. Se já tens 12 meses de gastos poupados, está na altura de investires esse dinheiro e partires para a concretização de outros sonhos.

E se precisas de ajuda para reorganizar as tuas finanças e começares já a poupar para o teu Fundo de Emergência, vem conversar comigo durante uma hora, numa Sessão de Mentoria Individual (online) ou inscreve-te no Treino de Finanças Organizadas.