Estratégia de Poupança

Gosto muito pouco quando alguém me diz que está a poupar (ponto final). Sim, é verdade, para mim a vida é muito mais do que receber ordenado, pagar contas, poupar, voltar a receber ordenado e por aí sucessivamente.

Por isso, quando poupo, poupo para alguma coisa, poupo com um objectivo muito específico, uma viagem, pagar uma dívida, obras em casa, criar fundo de emergência, ter uma reforma tranquila, etc., etc., etc. 

Isto significa também que, quando uma determinada poupança está completa, é hora de passar para a poupança seguinte. Vou dar um exemplo muito comum: alguém que está a poupar para o Fundo de Emergência e decidiu que o seu Fundo de Emergência seria no valor de 6 meses dos seus gastos. Terminada a poupança para 6 meses, muita gente acha que pode poupar um bocadinho mais porque ‘se sentiria mais segura’ e passa a poupar para 12 meses. Até aqui tudo óptimo, mas…quando chega aos 12 meses, acha que poderia poupar para mais 6 e o problema começa. E se achas que este exemplo é descabido posso dizer-te que há muita gente a passar por ele. 

A questão que se levanta aqui é, se já poupaste para um Fundo de Emergência de 12 meses, está no hora de utilizares o dinheiro que mensalmente direccionavas para esta rubrica, para outros fins, chega de Fundo de Emergência, a vida é mais do que isso.

 

‘Mas Su, agora vou poupar para o quê?’

 

Foi exactamente por isso que decidi fazer este artigo, porque quero partilhar contigo o que para mim é a minha hierarquia de poupanças, que nada mais é do que uma Estratégia de Poupança a longo prazo.

 

Estratégia de Poupança

Como já disse aqui, quando decides poupar deves poupar para algo em concreto, isto significa que tens um plano, que tens uma Estratégia de Poupança e é sobre essa estratégia que vamos falar.

 

Fundo de Emergência

Esta é a poupança FUNDAMENTAL  de uma vida, aquela que TENS MESMO que ter, porque é a tua rede de apoio para alguns desaires naturais que vão acontecendo e que fazem parte da vida de toda a gente. Como, para mim, esta é umas das duas poupanças mais importantes que podes fazer nesta tua Estratégia de Poupança, escrevi um artigo inteiramente dedicado a ela, que podes ler AQUI.

E uma pergunta que me fazem muito na Sessões de Mentoria é:

‘Eu ainda tenho dívidas pago primeiro e depois começo o Fundo de Emergência?

 

A verdade é que se te dedicares a pagar as dívidas e te esqueceres da começar a poupar para a tua rede de apoio, o que acontece é que no próximo percalço, terás novamente que recorrer ao crédito porque continuas sem um suporte para estes períodos conturbados. Assim sendo, a resposta é que deves fazer ambos ao mesmo tempo, pagar dívidas e criar (e engordar) o teu Fundo de Emergência.

 

Liquidar dívidas

Tirando o crédito da casa, que consigo compreender que exista, tão importante como poupar, é conseguires liquidar as tuas dívidas. Geralmente não incluo este ponto na minha hierarquia de poupanças, mas achei muito importante referir que, se tens dívidas, podes e deves fazer uma poupança que te permita fazer o pagamento destas de forma antecipada, principalmente se tivermos a falar de dívidas que têm juros altos, como é o caso das dívida relacionadas com o cartão de crédito.

Esta não é o que podemos chamar de uma poupança ‘tradicional’, mas é uma poupança que te vai ser muito útil no futuro quando precisares de planear o teu mês e quiseres que as tuas dívidas tenham um peso muito menor no teu orçamento.

 

Reforma

Eu sou daquelas pessoas que ainda acredita que vamos ter reforma, paga pela Segurança Social, quando chegarmos lá chegarmos. Mas também acredito que aquilo que vamos receber vai ser pouco para mantermos um estilo de vida confortável. Isto significa que, ao longo da vida, devemos acautelar esta situação e arranjar um complemento que nos permita estar confortável quando este momento da vida chegar.

E se pensaste imediatamente num PPR, queria dizer-te que sim, essa é uma opção válida, mas não é exclusiva, há outras. Podes, por exemplo, investir em imobiliário e ter uma casa para aluguer de curta ou longa duração. Ou podes ter outras opções, ou ainda a junção de várias. O importante é que penses que, quando chegares à idade da reforma, precisas de ter um complemento, tentar perceber que valor esse complemento teria e de quanto vais precisar no global.

 

Diversificação

Se decidiste colocar o teu Fundo de Emergência guardado em determinado local como primeira poupança, e em segundo lugar optaste por um PPR, está na altura de diversificares os teus investimentos. E tanto podes diversificar apostando em algo com mais risco e com retornos mais elevados, como te podes manter em investimentos com menos risco e com retornos mais baixos. Podes inclusive, ter o teu Fundo de Emergência dividido e os teus projectos para a reforma serem um PPR e a compra de uma casa e isso já é diversificar.

 

O importante a reter é que NUNCA deves colocar todos os ovos na mesma cesta.

 

Por outro lado, se te sentes tentada a investir em algo como mais risco, o facto de já teres a tua rede de apoio e a tua reforma assegurada, pode dar-te mais confiança para te aventurares por exemplo nos mercados financeiros, através de compra de acções, obrigações, ou ETFs, sem sentires que estás a colocar o teu futuro em risco. Esta é a estratégia de muita gente.

E como me perguntam sempre em que plataforma faço os meus investimentos no mercado financeiro, vou já deixar aqui o nome da plataforma, chama-se DeGiro e é a minha escolha porque tem as comissões mais baixas do mercado para quem quer investir a nível nacional mas também internacional.

 

Sonhos e planos

Para terminar, a poupança que nunca deve faltar na tua vida, a concretização de sonhos e planos. Se queres fazer uma remodelação em casa e estás a poupar para ela, é uma poupança, se queres viajar e precisas de budget, é uma poupança e por aí em diante. E esta poupanças, depois de pagas as dívidas e de constiuído o Fundo de Emergência, devem ser sempre uma realidade que te acompanha ao longo da vida.

Digo muitas vezes que o maior problema de quem tem as finanças desorganizadas é não saber o que quer. E não saber para o que estás a poupar é, na realidade, não teres bem definido o que queres para a tua vida.

Por isso, se estás a ler este artigo, da próxima vez que te perguntarem qual é a finalidade da tua poupança, quero a resposta na ponta da língua!