econoMisses – o livro

Escrevo desde sempre, escrevo muito antes de ter adquirido o gosto pela leitura. Escrevo porque, para mim, o poder das palavras é infinito e porque uma frase escrita da forma certa inspira outras pessoas, leva-nos às lágrimas, fecha contratos, transborda sorrisos, conecta enamorados e ajuda a tomar decisões.

Escrevo mesmo que outras pessoas achem que tenho pouco jeito ou fluidez, porque me ajudou desde sempre a organizar ideias, a aperfeiçoar e até a perceber melhor quem sou e como evoluí ao longo do tempo.

O meu pai sempre leu de forma consistente. Numas fases mais do que noutras, às vezes mais jornais, o Expresso que vinha no saco de plástico e que trazia um sem fim de revistas e suplementos, às vezes mais livros, mas sempre leu, acredito que por ter sido, não sei se incentivado se obrigado pelo pai, o meu avô João, outro avido leitor que também escrevia. Escrevia sempre que alguém fazia anos algumas rimas que contavam um pouco da história dessa pessoa, ou do que ele tinha acompanhado no seu último ano. Escreveu para mim todos os anos desde que nasci até que a debilidade da doença lhe tirou essa capacidade e era sempre tão emocionante e inesperado o que vinha escrito naquele papel que o avô guardava no bolso do casaco e declamava no final de cada almoço de celebração. Também escrevia sobre as épocas festivas e, mais uma vez, tínhamos a sorte de acompanhar as suas palavras em cada momento comemorativo. Ele sim deveria ter escrito um livro, embora, desculpa avô, seria certamente denso e por vezes difícil de interpretar já que aliava algum humor peculiar a uma escrita cerimoniosa.

O avô não escrevia como eu, eu escrevo numa época moderna, escrevo para web, para redes sociais, escrevo para passar uma mensagem a muita gente e, por isso, escrevo de forma mais simples e descomplicada. Mas deu-me certamente o gene. E digo isto porque sempre achei que o meu estilo estava longe de ser digno de um livro, embora esse sempre tivesse sido um sonho (tenho outros relacionados com a escrita à espera da saber o que destino lhes reserva, a eles e a mim). Mas o convite surgiu!

Nunca conseguirei dizer por palavras à Catarina e ao Sérgio, da 20|20 Editora, o que senti quando recebi o convite para ir conversar com eles. Sou-lhes eternamente grata pela oportunidade que me deram que tentei honrar da melhor forma que sabia e pelo cuidado com que sempre me trataram, a mim e à minha inexperiência neste novo mundo. Obrigada!

Foi assim que começou um sonho, foi assim que escrevi tudo o que sabia, da melhor forma que conseguia e foi assim que, de um trabalho de equipa, nasceu o ‘EconoMisses’. E digo equipa porque é mesmo isso, comecei pelas mãos da Catarina e do Sérgio, mas passei pela equipa de design que fez um magnifico trabalho no interior e na capa do livro, a Margarida, que não sendo da editora fez as minhas fotografias e me deixou, como sempre, muito à vontade. E agora estou nas mãos da Joana e da Rita da equipa de comunicação que têm lidado da forma mais paciente possível com todas as minhas dúvidas e ansiedades, tanto no adiamento do livro, como agora com todas as questões do lançamento. Sim, é preciso muita gente!

E sim escrever é uma grande responsabilidade! Quando passamos uma mensagem sabemos que existem vários tipos de leitores, principalmente quando temos a missão de encabeçar uma comunidade de mulheres com mais de 25 mil participantes. Há quem siga tudo o que dizemos à risca e se atira de cabeça para as nossas sugestões, há os que só questionam e acham demasiado difícil mudar a sua vida implementando algumas das dicas, há os que simplesmente não ligam, ou não concordam com nada do que foi dito (e estão no seu direito) e há ainda os que leem, pensam e adaptam à sua realidade, sendo que quando escrevemos fazemo-lo para todas estas pessoas.

Mentira se dissesse que às vezes o medo não aperta, que a inspiração não foge, ou que foi sempre fácil cumprir os prazos, mas confesso, foi um dos caminhos mais prazerosos que fiz e estou em pulgas para fazer mais um e outro, sempre que me quiserem.

Como digo na introdução, este livro não é sobre mim, é sobre quem o lê e a mudança que ele pode fazer na vida de cada um(a), por isso ficam apenas os votos de que ele te seja muito útil!