Como fazer um planeamento financeiro em casal

Sabias que em Portugal o dinheiro é a quarta maior causa de divórcio? É impressionante, eu diria até mesmo chocante, mas tem uma explicação: as pessoas não falam sobre dinheiro, porque este é um tema tabu. Começamos por evitar o tema quando conhecemos alguém, depois no namoro há um jogo de adivinhação financeira em que cada um tenta, com aquilo que observa, perceber como é que o outro age em relação ao dinheiro e termina no casamento com discussões monumentais, porque ‘afinal ele/ela não se consegue controlar financeiramente e nunca vamos conquistar nada em conjunto’.

 

Agora que já te pintei todo este cenário catastrófico vamos à solução do problema e hoje quero partilhar contigo como podes desde logo, ou também na fase em que te encontras, dar início a um planeamento financeiro em casal.

 

Conheçam-se financeiramente

Há uma coisa que eu não consigo entender, se na fase do namoro queremos conhecer a outra pessoa em tudo aquilo que ela faz, em todas as suas formas de pensar, queremos saber o passado, quais são os seus planos para o futuro, porque é que não falamos sobre dinheiro? Podemos fazer planos para casar e ter filhos, mas vamos deixar o dinheiro como um tema tabu sobre o qual é impensável falar. Isto não faz sentido nenhum. Claro que não vai ser o tema do primeiro café em conjunto mas, aos poucos, é um tema que pode e deve ser introduzido para que, também a este nível, possam estar alinhados.

 

Tenham consciência de quanto é que cada um ganha

Passamos a fase do namoro e chega à altura em que começam a ir de férias juntos, a partilhar algumas despesas, é nesta altura que começamos a ser mais abertos em relação a alguns temas que queremos partilhar e claro, é a altura indicada para falar sobre dinheiro. Como é que vão escolher o local de férias se não têm sequer noção das possibilidades que um e outro têm? Para um podemos estar a falar de umas férias medianas e para outro de um enorme esforço financeiro, muitas vezes feito apenas para agradar e do qual podem começar a advir problemas, como por exemplo as primeiras dívidas.

Tracem um plano financeiro conjunto

Recebo muito uma pergunta que é: quando é que devemos começar a fazer planos financeiros em casal? E a minha pergunta é: quando namoras com alguém existe um prazo de validade? Ou sou do tempo (bem recente, claro!!) em que existiam vários tipos de relações, as one night stand, em que a ‘coisa’ durava apenas aquela noite, as curtes, que era algo que se ia repetindo mas sem qualquer tipo de compromisso, o ir ficando, que era uma espécie de quase que namoro mas ainda não é bem e, depois, claro, o namoro, que é um compromisso, com vontade de fazer planos conjuntos, seja em que idade for. Por isso, se namoram, se partilham planos conjuntos, que podem ser apenas uns jantares fora, uns cinemas, ou uma férias, já podem e deve tem um plano financeiro conjunto, só que este é apenas à medida das vossa necessidades atuais. Mas é assim que se começa a falar sobre dinheiro.

 

Procurem soluções e não a culpa

Chegámos a versão ‘estou num casamento e ele/ele gasta que se farta e já não sei o que fazer’. Sabes qual é o maior problema desta situação? É que estamos sempre focados no problema e nunca na solução. Não interessa de quem é o culpa, quem causou o mau estar, quem está a agir mal, o que interessa é saber se há vontade conjunta de mudar a situação e como é que podem encontrar um equilíbrio que satisfaça as duas partes, sem prejudicar nenhuma delas. Façam uma coisa super estranha que se chama: conversar!

 

Tenham objetivos comuns e objetivos individuais

Para mim, que estou longe de ser especialista no tema, mas já tenho alguma experiência de vida, quando duas pessoas estão em páginas diferentes da vida, é muito difícil as coisas funcionarem. E isto acontece porque uma das pessoas pode ainda ter como objetivo aproveitar a vida em grandes borgas e o outro pode querer começar a poupar para objetivos mais ambiciosos a médio e longo prazo. Assim sendo, ter objetivos comuns, é o que vos faz falar sobre os planos que têm e ajuda a manterem-se nas mesmas páginas ao longo da vida que querem fazer em conjunto.

Por outro lado, nunca jamais devemos perder a nossa individualidade e aquilo que são os nossos objetivos já que não somos pessoas iguais. Termos objetivos individuais é o que nos mantem vivos, mas também atrativos aos olhos do outro. Quem é que gosta de estar com alguém que não cuida de si, que não tem ambições pessoais e profissionais, que não quer ser alguém melhor, que não quer dar o seu contributo?

 

Planeiem as despesas domésticas

Foram, estão, ou irão viver juntos, sim têm que planear as despesas domésticas e devem fazê-lo a vários níveis. Que tipo de conta vão ter? Que despesas irão pagar em conjunto? Com que percentagem é que cada um colabora para aquilo que é comum? Quem fica responsável pelas contas da casa, ou se ficam ambos, como se dividem? Como vão desenvolver as poupanças conjuntas? Onde vão guardar as poupanças conjuntas? Como vão investir? Vão investir de forma individual ou conjunta? Todos estes temas precisam de ser conversados e abordados antes de se passar à prática.

Na próxima semana vou fazer um webinar sobre este tema lá na Comunidade, por isso, se ainda não fazes parte, tens aqui uma ótima oportunidade para te inscreveres. E mesmo que estejas a ler este artigo noutra altura, todos os webinars ficam gravados, por isso, vais sempre a tempo.

Se preferires conteúdo escrito, podes encontrar mais sobre este tema no meu livro econoMisses, onde existe um capítulo inteiro dedicado a uma vida em casa e onde, entre outros assuntos, falo sobre finanças em casal.